sexta-feira, 18 de novembro de 2011

** DeSapEguE-sE **

Há algo em mim transbordando e me fazendo mudar todo tipo de conceito em relação ao que tanto aflige a alma... o amor. Em anos de convivência com a vida, pude notar o quanto as pessoas esperam algo em troca daquilo que se doa involuntariamente. Sentimentos não são feito penhoras, onde se aguarda em algum momento um retorno obrigatório e justo. São feito o ar que saem dos pulmões... livres e puros.

Não há como exigir trocas forçadas ou até mesmo embutir na pessoa amada tal responsabilidade de receber o mesmo amor atribuído ou nas mesmas proporções. O amor reciproco é o que sempre devemos esperar, mas quase nunca paramos para pensar nisso. É muito mais exigência, carência e pedidos, do que propriamente doação.

Bem do tipo, se eu beijo com carinho automaticamente e mesmo que sem querer, eu espero o mesmo beijo em troca. Se faço carinho, espero igualmente. Se me dou com toda graça, quero que também o faça. E se amo, quero na mesma quantidade.
Estão vendo, como é mais uma busca de retorno do que propriamente dar vida ao: Eu amo e ponto?
É o mesmo que aguardar que a pessoa amada lhe traga a felicidade.

Ninguém vai trazer felicidade a ninguém, se antes não a encontrarmos em nós mesmos. As pessoas amadas são meramente uma motivação para que o dia seja melhor, seja mais colorido e lindo. São apenas um complemento ao que já existe dentro de cada um.
Não atribuo mais minha felicidade a ninguém. Atribuo a mim mesma, ao que sinto por mim e pela vida que trilho. Atribuo a pessoa amada apenas o que lhe é devido: estar feliz para que eu sinta o mesmo.
Amar hoje pra mim tem um sentido diferente.
Eu dou amor, o alimento, quero que exista dentro de mim (mesmo sem uma fonte motivadora no momento) e repasso...
É nos meus toques que consigo fazer com que percebam que meu amor está ali. É na maneira de olhar com ternura... num abraço, num beijo, nas palavras e até mesmo no silencio.
Aquieto meu coração com esse lance de troca voluntária e então ele apenas me obedece e se doa.
Claro que agindo assim colho meus frutos bons. Recebo amor de volta, mas sem pedi-lo. Sem implora-lo.
O retorno apenas surge.
Como luz, como oásis, como brilho e colorido.
Desapegado de obrigatoriedade e desejos. 
Ofereça sim seu amor, de maneira simples, de maneira profana... De maneiras que apenas você sabe... Mas ofereça de coração e aquiete sua alma para que não espere sempre mais...
Porque sempre temos o que nos é devido e se não o temos... Talvez seja porque não foi merecido!!! 

by JanNe





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

** sAbOtaGeM d si MeSmO **


Há ruinas que o tempo não dissipa com seu assopro.

Elas mais parecem fantasmas de um tempo perdido. Seguras de si, imponentes.

Mas o que ninguém percebe é que para destruir, basta um leve toque e tudo balança. Fortes estruturas enigmáticas, mas sem vida. Basta o ponto certo para que tudo venha abaixo.

E assim, mantemos certas ruinas em nossas vidas por anos, décadas e inclusive até o fim.

Para que precisamos de um campo onde a visão é apenas o passado?
Para se lembrar, isso eu já sei. Mas qual a finalidade?

Causar dor, ressentimento. Para atestar os fracassos e se torturar toda vez que a voz da critica te questiona em dias sombrios?
Ah, não precisamos disso.
Mas as ruinas tornam-se deusas, intocáveis... Cheias de poder.
Eu ando criando coragem para enfrentar algumas delas e destruí-las. Demorei, sei bem disso. Mas somente com o passar dos anos é que vemos que ao invés de nos tornarmos fracos é que achamos o pote de ouro do amadurecimento. 

Descobri que tem coisas e até pessoas que devemos deixar para trás. Feito ruinas, feito um lugar que só a poeira habita. Não cabe meu amor mais ali. Minha dedicação, minha luz. É apenas uma desova de sentimentos, onde começo a arrancar de mim e me desfazer. Os dias vão transformar tudo em pedras rochosas, com faces desenhadas talvez. Com momentos cravados em um risco sem fim, mas só se assim eu o desejar.
Mas, tem casos que faço questão de esquecer. 
Não se precisa sentir sede de coisas que já se foram, pois a agua já não transborda o copo a frente. É meramente ilusão.
Ilusão e apego. 
Nos sabotamos toda vez em que achamos que somos felizes com o irreal, com o que já se teve forma e se desfez feito fumaça. Somos felizes sim, com aquilo que está preso entre as mãos, sólido, de verdade e que mesmo que essa mão se abra, não vai escorrer... vai permanecer ali. 
Do mais, prefiro que minhas ruinas se desfaçam... que virem poeiras e escorram por entre meus dedos calejados.
Haverá o que se plantar nesse terreno, mas preciso dele vazio.
Para um novo amanhecer,
para um novo começo. 
E aí, topas fazer isso?

(by JanNe)

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