terça-feira, 13 de agosto de 2013

** FuManTeS S.A **


- Eiiii, alguém para esse trem da abstinência porque necessito descer!
Algo em mim não vai bem, uma confusão estrondosa, mente e corpo em um ringue estilo MMA.
A idéia foi boa, diga-se de passagem, de uma mente cansada e já se sentindo escrava. O corpo vem reagindo como pode, gritando sua grotesca falta de nicotina, atormentado: ô coitado!

Sete dias. Uma semana. 168 horas sob a mira da força de vontade – é tudo que tenho e que utilizo para tranqüilizar o animo.
Opinião não se tem muito valor a quem deseja suicidar um vício. As correntes de apoio também não, afinal serão as mesmas que se tornarão criticas fatais caso vacile na minha decisão e obedeça a recaída.
Não, não quero isso. Juro.

Mas citarei alguns dos malefícios e benefícios desse ato excelente, mas insano vai... ou o contrário? Ráh, já nem sei.

  1. Eu gostava de fumar.
  2. A fumaça tinha algo encantador, sedutor... e invadia meus pulmões com o mesmo propósito e me levava em segundos a um êxtase de satisfação pura.
  3. O hábito de estar com ele em todos os lugares, momentos e em todo tipo de emoção era mais que uma amizade sincera, éramos quase irmãos (com o diferencial de que este amigo eu bem sabia dos males que vinham com ele e talvez por ‘ter ciência disso’ é que eu aceitava numa boa devido a ‘não decepções’ no depois ou decorrer.
  4. Estar entre grupos sempre foi mais divertido, o teor de nicotina nunca afetou nosso olfato, tato e expressões. O cheiro que ficava tinha que ser suportado, afinal grupo que é grupo não se tem discriminação. É unido e ponto.
  5. Depois de qualquer refeição sempre foi melhor que sobremesa... era a fumaça mais esperada do dia... Simplesmente muito bom.
  6. Calmante, relaxante, amigo, companheiro... Inibidor de surtos, controlador dos nervos e muitos dizem, emagrecedor – querem mais? 

Mas já chega. Não vou dar muita ênfase a um corpo viciado como o meu.
Então partimos aos benefícios e até acho que todos vão querem acrescentar alguma parte (e realmente espero).

  1. Desapego. Confiança. Força. Autocontrole.
  2. Sentir o próprio cheiro novamente não tem preço.
  3. O vento não me faz desejar passar creme nas mãos ou tomar banho de perfume a cada trago.
  4. O cheiro de shampoo é extraordinário e ele fica nos cabelos – já nem acreditava mais nisso (hahaha)
  5. Os alimentos têm sabor... e como são gostosos, hmmmm.
  6. A pele está diferente, brilhando talvez.
  7. Consegui caminhar depressa e não me senti tão cansada como se tivesse andando por léguas e com mais de 90 anos.
  8. Minha mente é quem manda (Ufa)
  9. Os hábitos são substituídos numa boa, basta ter originalidade em se mudar (ler, escrever, exercícios, dietas ou comer rs).
  10.  Os grupos são os mesmos, mas o diferencial é que não me sinto tentada a cair numa tentadora fumaça flutuante em minha frente.

Dentre outras e mais outras e outras coisas. Estou sabendo que os benefícios são enormes, sem contar a tagarelice de um profissional ou um médico no discurso. Mas melhor deixar pra lá, nessas horas muito blá-blá-blá incomoda mais que mil elefantes fumantes.
Os dias vão se arrastando e vou solicitando forças aos céus para que toda essa paranóia tenha fim e que logo, isso se torne apenas mais uma experiência.
Não existe melhor hora de parar. Existe melhor hora para ouvir sua própria voz.

Eu quis parar. Desejei. Limitei-me.
É uma luta para poucos, mas possível.
Talvez uma guerra intima, onde podemos sair vencedores ou perdedores. Vivos ou mortos de nossa própria vontade.
Acho que seria mais fácil quando recebemos uma ajuda. Mas preferi o anonimato de outras vezes, afinal é uma guerra fria e só minha e quando dá, divido.
Sete dias pra muitos são apenas sete dias. Mas pra mim é uma vitória, afinal pra quem fumava toda hora de um dia inteiro... Sete dias é um marco, é uma glória.


E a Libido??? Vai bem, obrigada!!!


by JanNa



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

** SuPerAçãO **


A correnteza te arrastou. Sim, ela te levou e por pouco não te tirou a vida. Mas seu fôlego ainda estava ali, meio que distraído ao desespero. Apavorado com as conseqüências do que se não pode adivinhar.
Fiquei na beirada, como tua sombra que não abandona.
Mas minhas mãos estavam longe né? Ou talvez será que não as viu?

Sentei. Ouvi teus gritos, mas sinceramente não quis ajudar – afinal me afogaria com você e nas circunstâncias poderia até me responsabilizar por te levar ao fundo. Mas me nego a isso. Pois creio que nos afundamos sozinhos, sem culpas, sem traquejos.

Continuei olhando e vi quando se agarrou em algo – suspirei de alivio, confesso. Vi quando usou suas únicas forças para chegar até algo que te desse segurança e assim o fez. Não precisou de ajudas, você notou?

Bati palmas.
Adoro ver quando as pessoas se superam.
Surpreendentemente permitiu que o ar invadisse seus pulmões e foi se acalmando e então chorou.
Uma dor o invadiu, mas não física... uma dor proveniente da alma. Viu seus erros, sua luta contraditória e entregou-se mais uma vez a própria pulsação.
É a vida que vale a pena, pensou!
Os erros costuramos feitos remendos de retalhos. A falta de fé renasce quando mais precisamos e o amor perdido talvez lhe dê uma chance. As mágoas voam feitos pássaros (quando desejamos libertá-las) e as dores são curadas quando aprendemos a fazê-las adormecerem em nossos colos fraternos.
Há uma luz lá na frente. As águas podem ser fatais, mas elas nos ensinam a lutar e ter esperanças e o medo de entregar os pontos é maior que a própria vida afundada na lama.

Você precisa lutar meu caro.
Limpar-se. Curar-se.

Não ligo que não tenha me visto te observando. Meus propósitos e sonhos pra você no momento não alterariam os fatos.

E ainda fiquei sentada até quando parou de chorar e saiu do chão quase se arrastando... e foi andando, andando... e sumiu no horizonte.

Ali eu sabia que você ficaria ‘numa boa’.
Olhei os céus, olhei a correnteza e mentalmente fechei os olhos em agradecimento a força que não se pode ver... Que vem de um feixe de luz. Que consagra meu coração de ‘dias melhores’ e assim, fui cuidar de mim.  *__*

by JanNa