segunda-feira, 30 de julho de 2012

nAda Se peRde!


Num tempo obscuro tirei minhas sandálias e resolvi que botar os pés diretamente ao chão me fazia mais bem do que se poderia imaginar. Tudo vai doer quando estiver descalço, mas as pedras que machucam são meramente necessárias, assim como aliviar os pés nas águas de um riacho.
É uma constante.
Hora dor, hora alivio.
E todos os caminhos vão criando suas formas intocáveis em um canto sutil da lembrança de se ter passado e/ou vivido algo.

Resolvi sentar.
Encolher e abraçar meus joelhos sem pensar em nada.
Pelo menos tenho alguns instantes de sossego, posso sentir que nada lateja, nada me suga, nada me prende.

Confesso que a sensação de se paralisar tudo é acusadora. É como se todos respirassem e você não. É como se os dias de todos passassem e o seu não. E assim me torno uma admiradora assídua dos minutos que se vão. E o mesmo bem estar que invade, sufoca!
Mas quem não precisa furtar seu próprio tempo?

Nem respondam. Sei as respostas.

Inquietamente elas zombam do meu silencio.
Mas não dou a mínima.

Continuo a vagar nos olhos amendoados do destino.
Que como sempre, me mortifica tamanho cinismo.

by JanNe