segunda-feira, 22 de agosto de 2011

** A LaDeiRa Q TráS saUdAdE **

Sou viajante sem mala e descalça, quase uma andarilha, a única diferença é que mesmo entorpecida sei meu rumo.
Sei por que ando de mãos dadas com um anjo e ele vai cantando pelo caminho... Canções alegres e tristes. De saudade, de vazio. De êxtase, de pura vida. Um misto.
Tem lugares que meus pés doem, sinto cansaço e frio.
Mas em muitos outros, a beleza natural paralisa meus olhos... são tantas cores, tantas ruas diferentes e a tal ladeira da saudade...

É nela que recuso a passar, mas o anjo me puxa a força, me faz chorar.
Descontente, vou soluçando...
Quanta maldade naquele que jurou me cuidar!

Tento desapegar de sua mão firme, mas ele não permite. Segura até fazer meus dedos doerem e alimentando meu ego de coragem, sigo ladeira abaixo.

Tudo que há nesse lugar me é familiar. Vou olhando com cuidado – olhos assustados.
Ate o ar tem cheiro adocicado. E muitas das pessoas que vejo, sinto vontade de abraçar, tocar.
Saudade – saudade – saudade.
Das pessoas, das pedras que machucavam meu andar, do vento, do céu, das casinhas humildes, do barulho do riacho...

Quando foi que vivi por aqui? Quando decidi partir?
E o anjo sorriu percebendo meus conflitos internos.
Enfim viramos a esquina da ladeira e olhar para trás ainda me deixou extasiava.

Foi então – que mais calma, pedi para sentar debaixo de uma arvore – aquelas primaveras que tanto gosto. Meu amigo fiel, ao meu lado, feito cão de guarda. Brincava com as pedras, como esperando por meus questionamentos e minhas descobertas solitárias.

Então percebi que tudo é feito para não durar.
Tudo é passagem nessa vida de muitos dias. Mas nada dura além do que lhe é decretado divinamente.
A ladeira que passei é meu passado, redesenhado como cada pedacinho da minha historia particular. Mas que existe apenas na minha memória. Há objetos, fotos, pessoas no meu agora que ainda me transporta a essa mesma ladeira, mas só eu sei como chegar.

E o anjo é meu presente. Meu amanhã, meu futuro daqui a meio segundo!


by JanNe
 





domingo, 14 de agosto de 2011

** Só Hj é SeU diA? **


Desejo a todos os pais, um dia abençoado, diferente... Onde se possa enxergar o amor latente e dar vazão para que ele respire e se mostre vivo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

** Pq t.AmOo **


 

P.s.; Quando a Saudade aperta, eu me refugio em meus arquivos. Acho palavras ainda cheias de vida que um dia se escorregaram do coração até as pontas dos meus dedos... A lembrança é um transporte gratuito, feito vagão sombrio. Entro, me sento e vou até a próxima parada. Desço com uma sensação estranha, um aperto. Mas sei que o caminho é diferente... e só meu como sempre!  11.08.11

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

** FloRes X PeSsOaS **

O vento dissipa as folhas das margaridas e rosas, pois sopra com força. E tudo se vai. Houve momentos que achei que a paisagem colorida fosse desaparecer diante dos olhos em frações de minutos, sem me dar chances de correr e salvar algo do jardim imenso. Mas há sempre um tempo. Há sempre uma opção diante de olhos desesperados.

E então sinto o cheiro delas.
Das flores que nem percebi, mas que estão intactas.
Afinal elas gostam da ventania, foram feitas para suportar o mal estar súbito do tempo.
As tempestades as alimentam e renovam suas estruturas frágeis.
E o sol suga suas energias, mas é também algo necessário.

Boba fui eu, que corri pra deixa-las protegidas e não vi o obvio.
Tocando-as, percebi o quanto somos parecidos (as) com as tais flores. Resistentes quando achamos que somos fracos e fracos quando acreditamos sermos fortes.

Deveria ser ao contrário, não acham?

Mas não se tem explicação para isso. É além de mim, de você e daquele que quiser entender.
Só sei que as margaridas encantam meu olhar e as rosas me embriagam tamanha sedução de suas cores variáveis.

As margaridas brancas simbolizam meu espirito.
E as rosas eu tenho medo de tocá-las...
Sempre, sempre me machucam com os espinhos - e estas sim são parecidíssimas com as pessoas:
 
“Hipnotizam com a beleza exterior. Exalam cheiros que impregnam. Mas antes que se desabrochem para mostrarem a beleza única de seus botões, os espinhos ferem rapidamente num toque simples”.

Se for valer a pena continuar com a tortura, tente sempre sentir sua dor minúscula. Ela pode ganhar proporções ou também ser sanada com o contato continuo. Tudo depende de suas escolhas e de até aonde se deixa machucar.

Há outras flores que também se comparam com pessoas e que não ferem! Mas muitas vezes são tão exóticas que assustam só de olhar. Acho que nessas se pode confiar hein.
Na verdade, os anos me ensinaram a gostar da simplicidade delas e das minhas serenas margaridas... Do que me deixar perturbar por lindas rosas.


- by JanNe







sexta-feira, 5 de agosto de 2011

** Na medida exata **

O que sinto preencheu o copo e escorreu...
Foi desperdiçado em pequenas quantidades. Mas suficientes para me deixar irritada com a molhadeira sobre a toalha de mesa.
Detesto bagunças. Detesto ter que limpar tudo sozinha.
Mas acabo fazendo, com a certeza que vou deixar tudo melhor que antes.
Ouço uma música e na fumaça redonda do cigarro eu domino os devaneios, vou criando coragem.
Meu primeiro instinto é jogar o copo todo fora. Se não serve para grandes quantidades, não serve para mim...  nada de esvaziar pela metade, alias odeio metades, seja lá em que situação.
O jeito é tomar eu mesma doses moderadas de bom senso.
Ráh! A sorte é que não me embriago fácil...
Sempre preferi encher os copos alheios a os meus... Esses eu degusto com cuidado!
 by JanNe (a metáfora em pessoa hehehehe)