sexta-feira, 23 de maio de 2014

* A peça chave, é você! *


Estranhamente temos ou sentimos a necessidade de estar em constante limpeza interior. Ontem o que era bom, hoje já não satisfaz. O que agora te faz sorrir, amanhã será só uma lembrança. Crises são crises. E as existenciais são um estrondo na mente. É um pensar sem parar, uma angustia uma falta de resposta e não aceitação do que se vive.

É um olhar para dentro e não saber o que realmente importa. Como se estivesse dentro de um quebra-cabeça gigante e ter plena certeza que nenhuma peça irá se encaixar. Existo por quê?

Há os que virão com belos conselhos contra o seu vazio. Os que te apresentarão a religiosidade, os que simplesmente te dirão para parar de frescuras e seguir. Nada disso é válido quando você mesmo não quer enxergar não é mesmo?

Sei bem. Nesses momentos, o que alivia mesmo é o silêncio. É se trancar em um quarto escuro, fechar os olhos e se imaginar parte dessa escuridão. É permitir que as lágrimas escorram e que seu corpo se esgote tanto a ponto de não senti-lo vivo.

Uma estratégica do subconsciente que não falha nunca, afinal a tristeza se torna tão pesada que adormecemos como se tivéssemos mortos. Então a busca pela existência se torna vaga e acabamos depressivos. Duas bebidas perigosas, mas que com certeza a maioria deve ter se embriagado vez ou outra.

Não existe felicidade permanente. Existe felicidade momentânea. É como dirigir um carro, você torce para que no trajeto não exista danos, mas sabe muito bem dos riscos ao dar  partida. Não depende de a gente prever o que acontecerá no caminho, mas temos que estar dispostos a vivenciar as eventualidades.

Assim acontece nas crises interiores. Você é o condutor, o que difere não são os caminhos felizes ou tristes percorridos e sim como você passa por eles.

Nas crises, o cansaço é grande. A vontade de desistir é iminente quase sempre. Mas o jeito é reagir. Travar uma luta interior, mesmo que não esteja mais com munições ou condições físicas para tal.

 Acredite de um jeito ou outro, surge uma nova força.

Já conheci casos onde a crise foi mais forte... arrastou pessoas para a morte plena, o suicídio. Aliviaram suas dores físicas e aumentaram suas dores espirituais, que deve ser com certeza, piores que qualquer vazio íntimo.

Prefiro optar pela felicidade momentânea. Pode ser que eu não tenha um grande amor. Pode ser que não tenha o emprego dos sonhos. Pode ser que o mundo não me suporte e que não possua os melhores amigos. Pode ser que eu tenha mil e uma decepções. E que os passos sejam sempre mecânicos... Ainda assim, acho melhor tranca-me num quarto e sentir o coração pulsando. Apenas eu e ele. Únicos.

Porque quando saímos pra fora de nós mesmos e nossos olhos se acostumam com a luz, sentimos o vento bater suave no rosto... Vemos o céu azul de um jeito diferente...  Respiramos como se fosse a primeira vez e então de uma maneira inexplicável, percebemos que estamos diante da cura... pois teremos sempre, outra chance!

by JanNa


quinta-feira, 8 de maio de 2014

* Obviamente, SILÊNCIO! *


Não, a gente não se fala mais. Em meio a tantas conversas paralelas e sobre tudo, o que nos restou foi um silêncio profundo. Nada de ‘ois’ apaixonantes e muito menos mensagens matinais de bom dia. A foto que vejo é apenas uma lembrança e ainda assim me pergunto se tudo foi real ou meramente fruto da minha fantasia.

Afinal, aonde foi parar toda aquela extasiada alegria e aquela breve sensação de se ter ingerido borboletas multicoloridas? Sei lá. Talvez estejam junto com a saudade breve que me visita – porque é o máximo que me permito.

Me recuso a recordar que sonhei com você. Que meus planos um dia se encaixavam aos seus de uma maneira mágica. Perdi a vontade de ser curiosa e abrir gavetas onde fatalmente te encontrarei. Tranquei tudo. Para que você não escape e pela madrugada, venha me atormentar feito um fantasma querido.

Sabe, eu não chorei quando te disse adeus e pedi para cuidar da sua vida. Ao contrário, eu senti foi vontade de me socar por dentro por ainda assim me preocupar com você. Que se dane se ficaria bem ou não. As favas com teu amor egoísta. Mas sim. Desejei te ver numa boa, embora sentisse um misto de raiva por minha tolice.

Bobagens de quem sente. De quem transforma um dia cinza, numa paisagem inesquecível.
Não é que sinto saudades, que tenha vontade de reverter minha decisão final, mas sinto falta. Embora eu sempre tenha dito que a substituição era minha brincadeira predileta, dessa vez não vou seguir a risca.

Quero curtir a solidez de não estar derrotada, caída. Zerando coisas mal resolvidas de um jeito prático: esquecendo.  Cada um sabe a delícia e o desprazer que é botar uma pedra em cima de assuntos do coração. Minha maneira nem sempre é a certa, mas simplesmente ignoro toda uma existência para seguir em frente. Finjo que nada foi bom, que só sobrevivi a uma guerra e como todo soldado que retorna a sua pátria, ele só pensa em ser feliz com o que resta dele mesmo.

Vislumbrei e desdenhei da minha viagem ao seu lado. E estava certa de carregar na bagagem todos meus medos. Eles tinham fundamento. Mas naquele inicio, quem é que poderia ligar pra eles?

Medo e encantamento nunca foram parceiros. E encantei-me. Uma escolha. Um erro.
Fatalidades que você mesmo me apresentou de um jeito esquisito. Me fez recuar, me fez desistir, apenas deixar ir. Eu sei que bem lá no fundo gostaria de me ver sofrendo e deve estar ai se remoendo por dentro devido a minha falta de passos até você.

É. Deixamos de existir um para o outro. Você se foi e eu peguei outro caminho para ter pelo menos a distância como aliada em dias frios sem cobertor. Mas estou bem, acredite!
Apenas quando curiosos me questionam sua ausência, digo que está por ai. Não com dor, muito menos com pesos. Apenas levando.

E eu, poxa vida! Descobri que amor de menos é um problema. Que de mais sufocam e os paradigmas permanecem como reticências...
E então, sigo em frente.

By JanNa