sexta-feira, 2 de agosto de 2013

** SuPerAçãO **


A correnteza te arrastou. Sim, ela te levou e por pouco não te tirou a vida. Mas seu fôlego ainda estava ali, meio que distraído ao desespero. Apavorado com as conseqüências do que se não pode adivinhar.
Fiquei na beirada, como tua sombra que não abandona.
Mas minhas mãos estavam longe né? Ou talvez será que não as viu?

Sentei. Ouvi teus gritos, mas sinceramente não quis ajudar – afinal me afogaria com você e nas circunstâncias poderia até me responsabilizar por te levar ao fundo. Mas me nego a isso. Pois creio que nos afundamos sozinhos, sem culpas, sem traquejos.

Continuei olhando e vi quando se agarrou em algo – suspirei de alivio, confesso. Vi quando usou suas únicas forças para chegar até algo que te desse segurança e assim o fez. Não precisou de ajudas, você notou?

Bati palmas.
Adoro ver quando as pessoas se superam.
Surpreendentemente permitiu que o ar invadisse seus pulmões e foi se acalmando e então chorou.
Uma dor o invadiu, mas não física... uma dor proveniente da alma. Viu seus erros, sua luta contraditória e entregou-se mais uma vez a própria pulsação.
É a vida que vale a pena, pensou!
Os erros costuramos feitos remendos de retalhos. A falta de fé renasce quando mais precisamos e o amor perdido talvez lhe dê uma chance. As mágoas voam feitos pássaros (quando desejamos libertá-las) e as dores são curadas quando aprendemos a fazê-las adormecerem em nossos colos fraternos.
Há uma luz lá na frente. As águas podem ser fatais, mas elas nos ensinam a lutar e ter esperanças e o medo de entregar os pontos é maior que a própria vida afundada na lama.

Você precisa lutar meu caro.
Limpar-se. Curar-se.

Não ligo que não tenha me visto te observando. Meus propósitos e sonhos pra você no momento não alterariam os fatos.

E ainda fiquei sentada até quando parou de chorar e saiu do chão quase se arrastando... e foi andando, andando... e sumiu no horizonte.

Ali eu sabia que você ficaria ‘numa boa’.
Olhei os céus, olhei a correnteza e mentalmente fechei os olhos em agradecimento a força que não se pode ver... Que vem de um feixe de luz. Que consagra meu coração de ‘dias melhores’ e assim, fui cuidar de mim.  *__*

by JanNa


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