domingo, 12 de setembro de 2010

** MeXa-Se **


...
Oscilou-se por um momento e perguntou-se num sussurro... onde estou, quem sou?
Pra onde olhava, sentia-se num vasto mundo desconhecido... e não se encontrava!
Parou cansado, sentou e olhou para os céus... era talvez a única coisa familiar, pois o resto de sua mente havia se perdido.

Confundido... um estranho dentro de si. Uma enchente de pensamentos, de porquês, de vontade de sair dali. Mas aquele era teu corpo, seus traços, seu querer. Em um lapso, lembrava-se de tudo, mas na verdade queria mesmo era esquecer. Uma luta desigual com seu interior agonizante. Não queria mais pertencer a aquela vida ou a aquele ser. Queria ser novo, pensar novo, ser diferente. Mas na vida não há muitas oportunidades quando se entra em guerra súbita com sua própria essência.

 Acreditava fielmente que bastava colocar as idéias em ordem, que conseguiria tal façanha de se mudar de alma – às vezes conseguia – noutras, era sua mais brutal decadência. Pois um homem não se pode mudar as coisas que já lhe foram traçadas num rabisco, num esboço até se fundir em obra prima. É e será sempre o que é. Nada de mudanças bruscas ou obrigatórias. Pois se redesenha através de empenho árduo, mas o que realmente é fica intacto para o resto de uma vida, quer queira ou não.

O que não entendia, era que não precisava trocar de existência – isso era algo impossível, quem sabe apenas numa próxima vida como se diz em certa filosofia. Sua única escolha era mudar os caminhos, escolher delicadamente cada um deles, tendo em mente a chegada ao final.
Somos os melhores em culpas, os melhores em desapontamentos, os melhores acusadores sem defesa. Destruímos a nós mesmos com nossa mente enterrada em o que se é certo ou errado. Nos condenamos a uma prisão interior com portas abertas.

E esse ser estava ali. Entregue as suas próprias culpas, seus erros e pesadelos. E na verdade sua consciência era mesmo a única a lhe apontar o nariz.
Poxa!! E ele esqueceu-se apenas de ser feliz!
Aturdido num mundo maluco, com regras absurdas seguiu atropelando tudo. E agora sente falta do que nunca se teve tempo para usufruir.

É certo que o destino esqueceu-o em alguma curva, abandonou-o feito um cão de rua, viciado em sua própria sorte. E como castigo, sentir a vida bater dentro do peito sem poder entregar-lhe rosas foi uma das piores coisas que poderiam ter acontecido.
O tempo lhe gastou a saúde, a malicia de se sorrir e subseqüente momentos importante da vida. Roubou-lhe os anos na cara dura, nunca lhe mostrou o rosto do amor e em troca, lhe deu uma vida sofrida.
Queria agora só entender o porque. Viu no esquecimento uma maneira de se aliviar da ansiedade das lembranças que gostaria de ter um dia, e não as que martelavam a memória... As mesmas de sempre, todas iguais.

Viu-se sentado em meio ao nada. Olhou para dentro de si e nada também. Olhou para longe e avistou o horizonte... sua única esperança, foi então que nasceu de novo sem se quer perceber...
Levantou-se e caminhou rumo a seus sonhos adormecidos!

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Obs.; escrevo para os apagados de alma, para os tristes, para os que se julgam esquecidos. O tempo faz a vida correr, mas haverá sempre o momento de refletir e sem notar, mudanças vão brotar. Pois não há coração injusto, há sempre pessoas que se julgam incapazes de guiá-lo para o caminho que realmente faz sentido... O viver plenamente.
“ACORDEM OS SONHOS PESSOAS!!”

(by Jana)

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