sábado, 18 de dezembro de 2010

** O muRo está Aki **


14:21h – Tempos assim me deprimem a alma e todo o resto. Chuva, neblina... e de quebra tudo cinza. Tive que tomar um banho da chuva para ver se purificava meu ser de alguma coisa boa e em certo ponto eu nem sabia o que era chuva ou lagrimas que me molhavam.
É hoje estou assim, meio fora de mim. Só espírito.

Percebo que não estou bem quando não sinto vontade, ao acordar, de sair do aconchego da cama ou então ouço repetidas vezes à mesma música. O engraçado que ao verificar a letra, todas tem algo em comum com meu momento... então passo o dia com ela a tira colo.

Deixo-me levar sim, afinal não se tem como fugir de você mesmo.
Em uma conversa franca com minha filha na noite passada, fui obrigada a me transportar a um passado mais que passado... minha infância.
É complicado quando se tem apenas coisas tristes para se relatar e demonstrar de onde veio toda essa maturidade excessiva e ao meu ver, desnecessária. Eu teria crescido da mesma forma se tivesse uma pitada a mais de fantasias. Mas o mundo insistiu em ser real, mesmo quando eu não entendia lá muitas coisas, ou quase nada.

Agarrei-me a minha maneira e segui de mãos dadas com o tempo. As pessoas que tanto amava estavam e estão sempre aqui. Foram relapsos pela falta de tempo, pelo beijo deixado para depois... mas ainda assim eu os amo com toda força. Nada modificará isso.

Tento ser apenas diferente, mas sempre tive comigo que não vamos muito longe se a cobrança é atrofiada a lembranças marcantes.
Deus me confidenciou dois seres especiais (talvez estivesse desatento quando achou que eu seria a melhor opção), mas me fiz de forte e abracei-as com um amor desmedido e prometi dar o meu melhor a todo custo.
Acontece que falho. Falho sempre quando sei que não estou bem e ponho em cheque minha própria essência e não há com quem compartilhar... Se me perco, tenho que me achar sozinha... afinal esse espelho deve estar intacto quando esses seres especiais forem procurar meu reflexo. Não é fácil. Mas consigo sempre.

Talvez por isso que inúmeras vezes sinto-me como uma criança solitária de castigo e invisível num canto qualquer. E nessas horas o que mais desejo é que a chuva passe para que não me assombre tanto.

Mas engana-se, se pensam que sou sempre assim. Não. Em geral sou forte como uma rocha, um Muro de Berlim. Mas o que vai por de trás dele é sempre um mistério, dois lados. Uma guerra fria e uma trégua entre o leste e o oeste... e assim eu sou.
Meus lados brigam entre si, mas sempre há uma trégua...
Sempre acho a paz escondida nos escombros e sento-me com ela, admirando o pôr-do-sol.


"Terrível! Esta fronteira de pedra ergue-se... ofende/ os que desejam ir para onde lhes aprouver/ não para um túmulo de massa/ e sim um povo de pensadores."
Volker Braun, 1965

- by Janne -

Um comentário:

Janaína Pupo disse...

Está tristinha?
Beijos minha querida, e desde já, te desejo um feliz Natal!