Pular para o conteúdo principal

** O muRo está Aki **


14:21h – Tempos assim me deprimem a alma e todo o resto. Chuva, neblina... e de quebra tudo cinza. Tive que tomar um banho da chuva para ver se purificava meu ser de alguma coisa boa e em certo ponto eu nem sabia o que era chuva ou lagrimas que me molhavam.
É hoje estou assim, meio fora de mim. Só espírito.

Percebo que não estou bem quando não sinto vontade, ao acordar, de sair do aconchego da cama ou então ouço repetidas vezes à mesma música. O engraçado que ao verificar a letra, todas tem algo em comum com meu momento... então passo o dia com ela a tira colo.

Deixo-me levar sim, afinal não se tem como fugir de você mesmo.
Em uma conversa franca com minha filha na noite passada, fui obrigada a me transportar a um passado mais que passado... minha infância.
É complicado quando se tem apenas coisas tristes para se relatar e demonstrar de onde veio toda essa maturidade excessiva e ao meu ver, desnecessária. Eu teria crescido da mesma forma se tivesse uma pitada a mais de fantasias. Mas o mundo insistiu em ser real, mesmo quando eu não entendia lá muitas coisas, ou quase nada.

Agarrei-me a minha maneira e segui de mãos dadas com o tempo. As pessoas que tanto amava estavam e estão sempre aqui. Foram relapsos pela falta de tempo, pelo beijo deixado para depois... mas ainda assim eu os amo com toda força. Nada modificará isso.

Tento ser apenas diferente, mas sempre tive comigo que não vamos muito longe se a cobrança é atrofiada a lembranças marcantes.
Deus me confidenciou dois seres especiais (talvez estivesse desatento quando achou que eu seria a melhor opção), mas me fiz de forte e abracei-as com um amor desmedido e prometi dar o meu melhor a todo custo.
Acontece que falho. Falho sempre quando sei que não estou bem e ponho em cheque minha própria essência e não há com quem compartilhar... Se me perco, tenho que me achar sozinha... afinal esse espelho deve estar intacto quando esses seres especiais forem procurar meu reflexo. Não é fácil. Mas consigo sempre.

Talvez por isso que inúmeras vezes sinto-me como uma criança solitária de castigo e invisível num canto qualquer. E nessas horas o que mais desejo é que a chuva passe para que não me assombre tanto.

Mas engana-se, se pensam que sou sempre assim. Não. Em geral sou forte como uma rocha, um Muro de Berlim. Mas o que vai por de trás dele é sempre um mistério, dois lados. Uma guerra fria e uma trégua entre o leste e o oeste... e assim eu sou.
Meus lados brigam entre si, mas sempre há uma trégua...
Sempre acho a paz escondida nos escombros e sento-me com ela, admirando o pôr-do-sol.


"Terrível! Esta fronteira de pedra ergue-se... ofende/ os que desejam ir para onde lhes aprouver/ não para um túmulo de massa/ e sim um povo de pensadores."
Volker Braun, 1965

- by Janne -

Comentários

Janaína Pupo disse…
Está tristinha?
Beijos minha querida, e desde já, te desejo um feliz Natal!

Postagens mais visitadas deste blog

FrOntEirAs dA ViDa

As fronteiras são simultâneas, vão e vem sem que gritemos por sua necessidade, elas apenas acontecem e se colocam como uma linha imaginável entre o certo e o errado. Somos educados apenas para respeitá-las, como reais limitações. A fronteira de uma vida tem fases, nomes, sentimentos e emoções. Quando pequenos nossa fronteira chama-se tempo. Ela nos impede de termos a noção de nossas escolhas, nos colocam um freio e vivenciamos um mundo infantil, totalmente alheio, tão imensamente inocente. Depois a fronteira se estende e entramos numa espécie de confusões e anseios infinitos e de difícil moderação. Somos enfim, adolescentes.
Apáticos, alegres e dificilmente compreendidos. A fronteira é única, a de um mundo de ilusões sem fim. Tudo acontece, tudo se perde da maneira como se chega.
A fronteira da maturidade é a felicidade...
Certo? Errado? Não mais. A questão agora é tudo ou nada. Ou tenho tudo ou não tenho nada. Quero meus sonhos aqui agora, ou não os quero mais. Abandono-os na fronteira …

Amizade conveniente

Hoje acordei com saudade de ter um amigo por perto. De jogar conversa fora, de dar aquelas velhas gargalhadas ou simplesmente de olhar para o tal amigo e desvendar suas mensagens codificadas, sejam elas quais forem (através de um olhar, de um gesto, de meias palavras ou de seu próprio silêncio). Li certa vez que “amigos são anjos que Deus colocou a nossa volta”, será que isso bate com a realidade??
Só acho uma tarefa um tanto quanto difícil. Imagina entender a alma alheia? Decifrar códigos, saber suas cores preferidas, o que gosta ou que não gosta, aceitar numa boa suas opiniões (mesmo tendo a sua totalmente contrária) e acima de tudo apoiar-lhe quando as chances de acertos são nulas e “seu amigo” não enxerga isto.
A probabilidade de ser ter um amigo fiel – justo – perfeito é de 0,05% (acha pouco?) então saia pelas ruas e pergunte ao número de pessoas que quiser se este ou aquele já não foi traído por um amigo??? Cara, você vai se surpreender... As pessoas se traem a todo instante. E …

** Na BrinCadeiRa, eu diGo a VerDade **

Certas palavras são ditas como por brincadeira, meio sem jeito... toda tímida... Mas são palavras... Que não voam com o tempo, permanecem com vida! Às vezes digo que amo, outras nem isso...
Mas basta ver aqui na menina dos meus olhos a alegria de estar com você o êxtase, o sorriso solto, minha maneira sem jeito de mostrar que me faz falta
Falta da felicidade eternizada na memória das lembranças boas
Fico sempre com a platéia das emoções, do seu cheiro inconfundível, da batida calma do seu coração que adoro (adorava) escutar facilitando sentir seu amor próximo ali adormecido velado muitas noites  pelo meu...
(by JanNe)