sábado, 31 de julho de 2010

** Ela siM é QuEm nOs pRenDe **


16:50h – Solte a borboleta!

Um termo forte.
Acredito que muitos seguem a risca.
Mas essa tal ‘borboleta’ às vezes mesmo com a porta aberta, insiste em ficar.
Reduz a fraqueza humana a nada e ainda assim continua ali a “borboletear” nossos caminhos.
A beleza paralisa o olhar.
Suas asas são indiscutivelmente ágeis, belas... E suas cores são o que mais seduzem.

Fico pensando... se ela sair por esta janela escancarada... será que voltaria para me fazer compreender que realmente é minha? Ou então me deixaria a triste ausência?
É... Infelizmente ‘borboletas’ são seres indomesticáveis. Por sorte ou azar, talvez.
Mas na minha opinião se elas sabem ou sentem que o caminho está livre e não desaparecem nesse céu azul chamativo, quer dizer que realmente no fundo ela sabe que me pertence.

Um pacto de amor entre o que prende e ao que está preso.
Seria então sentimentos chamados de ‘borboletas’?
Por isso eles surgem do nada, permanecem... e quando nos cansamos o soltamos ou enclausuramos?

O coração deve ser mesmo um jardim de flores raras, pois em cada primavera surge sempre uma nova borboleta. Um ser pequeno mais com uma capacidade impressionante de se intrigar.

Pessoalmente não gosto de prender nenhuma borboleta no meu jardim. Sempre deixei as janelas abertas para que elas partissem... seguissem seus próprios caminhos e retornassem. Umas voltam, outras não e as que eu mais achei perfeitas se foram.

Nem sei se fiz o correto ou o melhor para elas deixando que as janelas permanecessem sempre abertas, pois estou preocupada mesmo é em cuidar das flores do meu jardim e não com as visitas de borboletas.
Mas entre um amanhecer e outro, tive que notar a presença desse ser sublime me rodeando. Com cores irradiantes, uma leveza a qual eu jamais tinha reparado...

Corri e a cerquei. Prendi entre minhas mãos com todo o cuidado. Enquanto ela esteve ali – mesmo com tanta insegurança – tentei mantê-la com todo meu carinho.
Foi um momento único, mas quanto mais o tempo passava, mas aquele doce ser se cansava, ela precisava do jardim...
Precisava ter sua própria liberdade...E senti com um toque toda sua angustia e minha covardia.

Então como se estivesse fazendo a pior coisa da minha vida...  abri as mãos para que ‘a minha borboleta preferida’ pudesse voar...

Ela se foi. E eu fiquei e ainda estou olhando-a de longe... cada vez mais distante e próxima da janela, para o meu desespero...
Não há mais nada que eu possa fazer se ela escolher passar por entre as janelas de vez e sumir da minha visão egoísta.
O difícil é aceitar que se vá para sempre. Mas já que não tenho mais sua doce presença em minhas mãos, sinceramente não me importo, chegando muitas vezes a me pegar desejando sua partida o mais breve.

Mas nada depende de mim. A borboleta dos meus sonhos insiste em ficar por enquanto... e permaneço tentando cuidar apenas do jardim sem olhar muito para ela...

Assim que deixo minhas flores lindas, tirando dentre elas as ervas daninhas, paraliso naquilo que não quero ver... Mas acabo rendida.
“Borboletas ou sentimentos”, seja lá que nomes lhes são dados... Descobri que são eles a nos prender e não o contrário...


by Jana

Talvez seja hora de rever a frase:
 “Solte as borboletas... se elas fugirem nunca foram suas.... mas se retornarem... é que sempre foram (suas)”.
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