sábado, 5 de junho de 2010

** ElAs EstArÃo jUnto, SeMprE **



Sinceramente contei os minutos hoje, como se quisesse sumir daqui o mais rápido possível. É como se algo inesperado estivesse me aguardando lá fora. Sim, sei que está. Pode até ser fantasia, mas tenho absoluta certeza.
A semana foi corrida, muito trabalho, algumas mudanças e pra completar sem net. Mais o jeitinho clássico impera.
Prefiro mesmo é esse silêncio absoluto. Gosto de olhar para trás e ter apenas as imagens das pessoas indo e vindo, telefones tocando e conforme fixo o olhar elas vão desaparecendo... uma a uma, restando somente o barulho dos meus passos neste lugar.

Ouço uma música...
http://www.youtube.com/watch?v=NvR60Wg9R7Q

Sento-me de frente a janela e fico alguns minutos observando o balançar das folhas... nada na cabeça, nada na alma. Que bom sentir isso. Mas tento não me aprofundar, senão vou encontrar coisas que não quero ver...

Então a vida passa como um filme diante de mim.
Lembro-me da minha infância, das coisas que me faziam sorrir ou como gostava de brincar sozinha trancada no quarto, eu passava o dia ali. Depois vejo-me com os cabelos compridos já mais crescida... Lembro do ginásio e chego a sentir o peso das emoções... Gargalhadas à toa, choro sem motivo, tudo parecia começar e terminar em fração de segundos.

Fico minutos nessa nostalgia.
Acendo um cigarro e continuo com o olhar parado na janela. E vejo que dessa vez, algumas das lembranças são distorcidas, ou melhor, apagadas... Há coisas que vejo claramente e outras que estão totalmente ofuscadas (onde estão?). Percebo que as lembranças até aqui são alteradas, manchadas e me assusto, isso significa que cresci.

Descubro que as partes ofuscadas foram alteradas pelo meu próprio bem. A meu favor.
Partes importantes e que fui obrigada a esquecer e dar novos rumos na vida. Fases onde comecei a desfazer de lembranças que não desejo levar comigo... por isso, algumas estão danificadas.

Fecho os olhos.
Analiso o que sobrou delas. Nada. Mas mesmo ‘apagadas’ elas carregam suas próprias energias e só de tocá-las (mesmo depois de tanto tempo) sinto o peso do sofrimento.
Deixo-as no mesmo lugar. Saio desse embaralhado nó de lembranças negativas. Fecho a porta, saio de mim.

Há certas lembranças que mesmo que eu não queira, sei que ficarão presas aqui dentro e que partirão comigo quando todas essas luzes foram apagadas de uma só vez.
Por enquanto, elas atraem minha curiosidade, gritam meu nome feito um bando de fantasmas...
Atendo o chamado.
Mas volto a si.

A vida continua seu ciclo. Relembrar é uma coisa natural... deixar-se levar por lembranças também. O importante é saber retornar e não se alimentar no presente do que já se foi. Se estão apagadas ou cheia de cores, mortas ou vivas, o melhor mesmo é ignorá-las. Pois não alteram nada no agora.
O presente é sempre um novo vazio a ser preenchido.

A música terminou.
Ouço-a mais uma vez, só para ter a certeza que estou aqui de volta.
E estou.

Como eu disse no começo, algo lá fora me espera...

Hora de continuar.

(...)
by Jana

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